Resumo:
Responde à carta de um leitor, João da Serra, que defende o controle governamental sobre a radiodifusão, alegando ser uma alternativa menos nociva do que o domínio por grupos políticos ou financeiros. O leitor menciona o caso de Assis Chateaubriand, que detém um vasto império de jornais e rádios, como exemplo dos perigos da concentração midiática. Pilla refuta essa ideia, argumentando que, se fosse coerente, a proposta do leitor também deveria se aplicar aos jornais, já que estes, assim como as rádios, podem cair sob o controle de grandes grupos. No entanto, ele questiona se seria concebível uma imprensa sob controle do governo, alertando que tal cenário seria um ataque à democracia, especialmente em um país onde o governo já exerce uma semi-ditadura. Embora reconheça que a concentração de veículos de comunicação em poucos grupos seja prejudicial para a liberdade de expressão, ele considera um absurdo combatê-la com um controle estatal, pois isso apenas substituiria um problema por outro ainda maior. Defende que a solução para evitar monopólios na radiodifusão deve seguir o modelo de países avançados, onde a lei impede que um único partido, religião ou grupo econômico detenha múltiplas rádios em um mesmo território, garantindo maior pluralidade de vozes. Conclui ironicamente que a sugestão do leitor seria o mesmo que "cortar a cabeça para curar uma dor de dentes".