Abstract:
Critica duramente o presidencialismo, destacando como esse sistema permite que governos permaneçam no poder mesmo diante de escândalos e crises morais. Ele usa como exemplo o impacto do discurso do deputado Raimundo Padilha e do aparte indignado do deputado Afonso Arinos, os quais revelaram um escândalo tão grave que, em um sistema parlamentarista, teria levado à queda imediata do Governo. No entanto, sob o regime presidencial, o Executivo permanece intacto, ainda que moralmente arruinado. Ressalta que a indignação tomou conta da Câmara, unindo oposição e situação, mas que a estrutura do sistema presidencialista impede qualquer consequência imediata. O Congresso, embora mais motivado a continuar suas investigações, não pode remover um governo apenas por estar desmoralizado. O editorial do Correio da Manhã chega a afirmar que o governo está “sepultado”, mas continuará governando, aprofundando sua própria ruína. Afonso Arinos, ao denunciar o escândalo, evoca forças bíblicas de destruição, sugerindo que, quando as instituições falham, o povo pode recorrer à revolta para evitar ser arrastado na decadência do sistema. Pilla conclui denunciando os intelectuais que continuam a defender esse modelo de governo, comparando-o a um Moloch que, em vez de consumir suas vítimas no fogo, as dissolve na corrupção e na podridão política.