Resumen:
Compara o processo eleitoral presidencial na França e no Brasil, destacando as diferenças estruturais entre os sistemas parlamentarista e presidencialista. Na França, a recente eleição presidencial, apesar de ter sido considerada árdua e tensa, ocorreu em apenas uma semana, sem maiores comoções ou paralisações da vida nacional. No entanto, no Brasil, mesmo com dois anos de antecedência, o tema da sucessão presidencial já domina o cenário político, influenciando toda a vida pública e gerando instabilidade. Ironiza as críticas que surgiram em relação à eleição francesa, ressaltando que aqueles que desprezam esse processo eficiente ignoram o próprio caos eleitoral brasileiro. Ele lembra que a Revolução de 1930 teve origem em uma eleição presidencial e que, no presente, já se discute a candidatura militar como meio de assegurar a transição política em 1955. Enquanto na França a eleição se resolve de forma ágil e parlamentar, no Brasil, o presidencialismo transforma a disputa em um espetáculo prolongado e turbulento, exacerbando paixões populares e colocando em risco a segurança institucional. Conclui criticando a hipocrisia daqueles que condenam a eleição presidencial na França, enquanto ignoram os problemas do próprio sistema eleitoral brasileiro, num verdadeiro "riso do esfarrapado do homem bem posto".