Resumen:
Discute a natureza dos partidos políticos e critica a proposta de financiamento público dessas organizações, aprovada na Câmara dos Deputados e em tramitação no Senado. Ele argumenta que os partidos são essenciais à democracia, mas não devem ser sustentados pelo Estado, pois isso comprometeria sua independência e função representativa. Para Pilla, um partido político autêntico nasce da vontade popular, reunindo cidadãos com princípios e ideias comuns. Sua existência deve ser espontânea, com a lei apenas disciplinando seu funcionamento. Quando um partido passa a ser financiado pelo governo, ele perde sua autonomia ideológica e se transforma em uma máquina eleitoral, focada apenas em disputas por poder. Ele observa que, no sistema presidencialista, os partidos já tendem a ser mais eletivos do que representativos, pois se estruturam apenas para vencer eleições, sem um compromisso real com princípios e doutrinas. Com a adoção do financiamento estatal, esse problema se agravaria, reduzindo os partidos a "sindicatos eleitorais", que utilizariam recursos públicos apenas para se perpetuar no poder. Questiona se essa é realmente a intenção dos defensores do projeto. Caso seja, eles alcançarão seu objetivo. No entanto, ele alerta que uma democracia sólida não pode se basear em partidos sustentados pelo Estado, pois isso apenas consolidaria uma política de interesses privados disfarçados de representação popular, afastando ainda mais o país da democracia ideal que todos desejam.