Resumo:
Discute o receio de Rachel de Queiroz em relação ao parlamentarismo, argumentando que sua visão é distorcida por medo. A escritora, temendo que um governo parlamentarista pudesse cair nas mãos de figuras como Getúlio Vargas ou Jânio Quadros, não consegue compreender plenamente a dinâmica do sistema parlamentar, comparando-o erradamente com o presidencialismo. Para Pilla, esse medo é infundado e responde mais a interesses pessoais ou a uma falta de entendimento do funcionamento político. Ele aponta que, no sistema presidencialista, o presidente eleito diretamente pelo povo tem poderes imensos, permitindo-lhe consolidar uma "maioriazinha" e garantir sua permanência no poder. Já no parlamentarismo, o governo depende da confiança do parlamento, podendo cair a qualquer momento por uma simples votação. Critica o fato de Rachel de Queiroz não reconhecer que, no sistema parlamentar, a instabilidade governamental é uma característica que pode ser vantajosa para evitar o caudilhismo e a proliferação de governos autoritários. Ele vê a hesitação de Rachel como uma manifestação do medo irracional, que leva a raciocínios errados sobre a eficácia do sistema parlamentar. No final, defende que o parlamentarismo, longe de ser uma solução para o autoritarismo, é uma alternativa mais equilibrada ao presidencialismo, que favorece o controle de um único poder, frequentemente corroído por interesses pessoais e políticos.