Resumen:
Critica a defesa de um Executivo forte e estável como solução para os problemas da República. Ele questiona se, após sessenta anos de governos presidenciais dotados dessas características, o país não estaria ainda necessitado de salvação. Aponta a contradição do jornal O Estado de São Paulo, que já se opôs a regimes autoritários em momentos como 1924, 1930, 1932 e 1937, mas agora defende a tese de que a estabilidade do Executivo seria essencial para a governabilidade. Para Pilla, essa visão é perigosa e coincide com a doutrina defendida por Getúlio Vargas, que consolidou um governo autoritário sob o argumento da ordem e estabilidade. Sustenta que os verdadeiros democratas não são presidencialistas convictos, pois o presidencialismo tende a ignorar a dinâmica do jogo democrático, que se baseia na interação entre diferentes forças políticas e na constante evolução da consciência coletiva. Ele argumenta que os defensores do presidencialismo enxergam a democracia apenas como um processo eleitoral, onde a autoridade governamental, uma vez investida, se torna autônoma e insensível à vontade popular. Para ele, isso se assemelha a uma ditadura disfarçada, sustentada por teorias sociológicas que buscam justificar a concentração de poder. Compara esses discursos aos de antigos juristas que legitimavam o absolutismo monárquico, agora adaptados para validar o despotismo presidencialista. Sua conclusão reforça a necessidade de um sistema verdadeiramente democrático, baseado no equilíbrio entre os poderes e na contínua participação do povo.