Resumen:
Discute a proposta do senso alto como solução para os problemas da democracia brasileira. Ele argumenta que, devido à demagogia e ao populismo dominantes, essa medida seria inviável e ineficaz. Embora um corpo eleitoral mais consciente fosse desejável, não há critério seguro para essa seleção. O critério da renda é falho, pois a capacidade cívica não está ligada à situação econômica. O critério da instrução também não é suficiente, já que há pessoas humildes mais conscientes politicamente do que indivíduos com maior nível educacional e interesses puramente pessoais. Diante da impossibilidade de excluir grupos do eleitorado, Pilla defende que a solução está na educação política, mas ressalta que a escola sozinha não basta. Sem um ambiente cívico adequado e exemplos práticos, o aprendizado político é ineficaz. O Estado Novo prejudicou essa formação ao manter os eleitores afastados da política. Com a redemocratização, feita de maneira apenas formal, falta educar os cidadãos para a vida pública. A verdadeira solução, segundo Pilla, não está no senso alto, mas na substituição do presidencialismo, que considera uma ditadura constitucional, pelo parlamentarismo. Esse sistema permitiria uma participação contínua dos cidadãos e seus representantes, garantindo um envolvimento efetivo na política. Para ele, essa é a única forma de fortalecer a democracia e melhorar a qualidade da representação política no Brasil.