Abstract:
Critica a posição do Correio da Manhã, que antes defendia o revisionismo político e agora se coloca como opositor da Emenda Parlamentarista. O jornal sugere que muitos deputados assinaram a proposta apenas por desencanto com Getúlio Vargas, confundindo a rejeição a um governo específico com oposição ao sistema como um todo. Pilla rejeita essa ideia, argumentando que seria ilógico realizar uma reforma constitucional para combater um governo que já estaria no fim. Defende que o apoio ao parlamentarismo não surge por mero descontentamento momentâneo, mas sim porque a própria experiência política demonstrou a falência do presidencialismo. O regime concentra excessivo poder nas mãos do chefe do Executivo, tornando-o vulnerável a abusos. Um presidente autoritário, como Vargas, apenas evidencia essas falhas. Ele ilustra essa conversão ideológica com o caso de José Augusto, ex-governador do Rio Grande do Norte, que, ao perceber a amplitude do seu poder dentro do sistema presidencialista, estremeceu diante das possibilidades de abuso e tornou-se parlamentarista. Segundo Pilla, a mesma percepção ocorre com muitos parlamentares que testemunham a concentração de poder no Executivo. Assim, ele conclui que a adesão à Emenda Parlamentarista não é um ato de puerilidade, como sugere o Correio da Manhã, mas uma resposta racional aos riscos do presidencialismo, que abre caminho para o autoritarismo e a instabilidade política.