Abstract:
Aborda a contradição presente na posição do Partido Social Progressista (PSP) em relação à proposta de instituir o sistema parlamentar de governo no Brasil. O partido, que havia incluído essa reforma em seu programa, opta por não apoiar a proposta quando ela chega à Câmara dos Deputados. O relator da emenda, Paulo Lauro, embora filiado ao partido, emite um parecer contrário ao sistema parlamentar, alegando que a situação política do país está muito grave para uma mudança desse porte. Questiona a lógica dessa justificativa, apontando que a situação, longe de ter melhorado, se agravou desde que a reforma foi inicialmente proposta. Para ele, a contradição é evidente: se o sistema presidencialista está falido e a situação continua grave, quando seria o momento adequado para a implementação de um novo sistema? Sugere que o argumento do relator é, na realidade, presidencialista, com o objetivo de preservar o sistema atual e transferir o poder de Vargas para Ademar de Barros, mantendo as prerrogativas presidenciais intactas. A crítica central é que a oposição à reforma não se baseia em uma análise pragmática da situação, mas em interesses políticos que desejam sustentar o poder do Executivo sem levar em conta a necessidade de mudança estrutural no governo.