Abstract:
Aborda a relação entre o Clube Militar e a política brasileira, destacando como, em certos momentos, suas eleições internas ganham uma importância semelhante à de uma eleição nacional. Observa que, em países latino-americanos, como o Brasil, as esferas política e militar se confundem com frequência, resultando na crença de que a classe militar tem o poder de determinar o destino da República. Ele explica que, no Brasil, isso não ocorre devido ao militarismo no sentido estrito, mas como consequência da fragilidade da democracia, que ainda é superficial. Para Pilla, a verdadeira democracia não se concretizou no país, visto que o sistema político é marcado pela falsidade, com uma Constituição frequentemente desrespeitada e eleições espúrias. Argumenta que essa fragilidade democrática é o que motiva a intervenção militar, não por militarismo, mas pela falência do poder civil. Atribui a desordem política à inadequação do sistema presidencialista, que ele vê como uma "ditadura pessoal constitucionalizada", prejudicial para uma nação que ainda está desenvolvendo sua consciência democrática. Para ele, o presidencialismo foi responsável pela regressão da vida pública no Brasil nos últimos sessenta anos, ampliando os problemas políticos e sociais do país. A intervenção militar, portanto, surge como uma consequência da ineficácia do sistema de governo vigente.