Resumen:
A análise se concentra em um episódio envolvendo o presidente Café Filho, que foi aplaudido ao deixar o Aeroporto Santos Dumont, sem escolta policial, após uma visita ao legado pontifício. Esse gesto foi interpretado por um comentarista do "Diário Carioca" como uma prova de que o povo brasileiro é essencialmente presidencialista, vendo no presidente uma representação do sentimento coletivo. O comentarista, então, expressa a esperança de que Café Filho, inicialmente parlamentarista, possa mudar sua visão sobre o regime político devido à sua experiência como presidente. Contudo, refuta essa visão e sugere que o aplauso não deve ser interpretado como uma manifestação de apoio irrestrito ao presidencialismo, mas sim como uma demonstração de respeito pela figura do chefe de Estado. No sistema presidencialista vigente, o presidente desempenha um papel dúplice, sendo simultaneamente chefe de Estado e chefe de Governo. Argumenta que o povo não aplaude o regime presidencialista em si, mas sim o chefe do Estado, independentemente do sistema político. Para ele, essa confusão de papéis no presidencialismo pode ser perigosa, como demonstram os últimos acontecimentos. Sugere que o presidente Café Filho, assim como outros políticos, pode acabar se tornando mais defensores do parlamentarismo devido às dificuldades de conciliar essas funções e ao risco de concentrar poder excessivo nas mãos de uma única pessoa.