Resumen:
Apresenta uma comparação entre o sistema parlamentar e o presidencial, discutindo as consequências políticas de um escândalo que envolve um chefe de governo. No sistema parlamentar, se um líder, como o presidente ou chefe de gabinete, se envolvesse em um crime ou ato imoral, seria imediatamente afastado do cargo, pois a dignidade da função exigiria isso. O Parlamento teria a autoridade para impor a renúncia, sem que o povo ou a investidura popular fosse um obstáculo. A história de países parlamentaristas, incluindo o Brasil no Império, revela que qualquer deslize de um membro do governo pode levar à queda imediata, destacando a sensibilidade moral do sistema. Já no Brasil, com seu sistema presidencial, mesmo diante de um grave escândalo envolvendo o presidente Getúlio Vargas, ninguém parece sentir a obrigação de renunciar. A discussão sobre a renúncia de Vargas se torna prolongada e difícil. O deputado Gustavo Capanema, por exemplo, argumenta que Vargas não deveria deixar o cargo porque não foi considerado criminoso, e que o país não pode ficar desamparado. Pilla ressalta a diferença entre os dois sistemas, enfatizando como o presidencialismo brasileiro permite maior resistência à renúncia, mesmo em situações de crise, refletindo as complexidades de um regime presidencialista e suas consequências para a política nacional.