Resumo:
Reflete sobre as limitações do sistema presidencialista brasileiro em relação às oportunidades políticas. Gustavo Capanema, em uma conversa com jornalistas, observou que, em um século de República, apenas vinte cidadãos teriam a chance de exercer a presidência. Isso ocorre porque, no regime atual, o presidente da República detém um poder quase absoluto, o que reduz as perspectivas de uma carreira política plena para os valores autênticos. A reflexão se aprofunda ao mencionar o caso de Juscelino Kubitschek, que, apesar de ser um homem com predicados para alcançar a presidência, tem sua chance vinculada à circunstância de ser governador de Minas Gerais. Critica como o sistema presidencial subordina os grandes políticos a situações muitas vezes alheias ao mérito pessoal. O exemplo de Kubitschek ilustra que a ascensão ao cargo máximo do país muitas vezes depende não do talento ou da capacidade do político, mas da situação política específica em que ele se encontra. Destaca, então, uma das falhas do presidencialismo: poucas são as oportunidades para os homens de real valor se destacarem. Isso contrasta com o sistema parlamentarista, que, segundo ele, oferece mais perspectivas a políticos com real competência. Em uma comparação com o período imperial, Pilla sugere que o Brasil, sob o presidencialismo, paralisou o surgimento de estadistas genuínos.