Resumo:
Relata os discursos feitos pelos líderes Afonso Arinos e Gustavo Capanema na Câmara dos Deputados, que reconheceram o importante papel político das Classes Armadas durante a crise do ano anterior. Observa que, graças ao patriotismo e espírito democrático das Forças Armadas, o regime conseguiu sobreviver, evitando uma ditadura militar. Contudo, ele aponta que as instituições democráticas ainda não retornaram totalmente ao seu funcionamento normal. Os discursos também sugerem que as Forças Armadas, em tempos de crise, deveriam ocupar uma posição preeminente entre os poderes constitucionais, o que, segundo Pilla, é um erro constitucional. Ele afirma que, conforme a Constituição, as Forças Armadas são apenas instrumentos dos poderes constitucionais e devem garantir a lei e a ordem estabelecidas pelos poderes competentes. A ideia de um quarto poder militar, embora real em termos práticos, não pode ser uma base constitucional. Também critica a ideia de que a intervenção militar seja uma solução para o fracasso do sistema presidencialista na América Latina. Para ele, as intervenções militares são uma consequência natural de um sistema presidencial que, devido às suas falhas, leva a situações de crise e instabilidade política. Ele sugere que, em vez de simplesmente condenar as intervenções, seria mais útil entender a causa profunda dessa anomalia no regime presidencialista.