Resumo:
Refuta a ideia de que o sistema parlamentarista acarreta necessariamente a instabilidade no governo. Ele argumenta que, embora a França seja frequentemente citada como exemplo de instabilidade, isso é um fenômeno peculiar do país, causado por fatores históricos e institucionais específicos. Esclarece que o que ocorre no sistema parlamentarista é, na verdade, uma mutabilidade, ou seja, a capacidade de modificar o governo sempre que necessário. A instabilidade, portanto, não é intrínseca ao sistema, mas é uma característica do governo francês, que, embora excessiva e por vezes incômoda, tem sua utilidade. Destaca que os sucessivos gabinetes na França são necessários para resolver problemas que os governos anteriores não conseguiram solucionar, prevenindo que os governos se tornem imobilizados ou caiam na rotina. Faz referência ao historiador Maurice Reclus, que descreve a grandeza da Terceira República Francesa, que, embora tenha vivido momentos de instabilidade, foi capaz de realizar feitos significativos como a construção de um império colonial e a formação de alianças poderosas, transformando a França em um dos países mais influentes da Europa. Conclui que a instabilidade, mesmo quando exagerada, pode ser benéfica, como exemplificado pela experiência francesa.