Resumo:
O presidente do Partido Libertador, Raul Pilla, em entrevista ao jornal O Globo, analisa a grave crise que o Brasil enfrenta, considerando-a talvez a mais séria da história do país. Para ele, a democracia brasileira está profundamente viciada pela demagogia e pela corrupção, frutos do legado da ditadura do Estado Novo. Pilla alerta para a devastação moral e material do país, que, embora não tenha sofrido guerras ou epidemias, encontra-se em um estado crítico. A sucessão presidencial, ocorrendo em um momento de crise econômica, política, social e moral, agrava a situação. Pilla questiona a conveniência de se desejar a presidência em tais condições, sugerindo que apenas um líder com confiança nacional seria capaz de enfrentar a tarefa. O presidente do PL defende uma candidatura de união nacional, mas critica a fórmula proposta pelo PSD, que, segundo ele, é mais uma adesão universal do que um verdadeiro esforço de conciliação. As causas da crise são atribuídas, em grande parte, ao período do Estado Novo, que destruiu as bases morais e políticas do país. Pilla também critica a lei eleitoral, que considera imperfeita e propensa à fraude, e o modelo democrático que, segundo ele, foi mal reconstituído após o fim da ditadura. Ele conclui que a demagogia e a corrupção continuam a corroer a democracia, e que a campanha presidencial atual não será capaz de realizar um milagre sem o essencial, a verdadeira fé.