Resumo:
Faz uma crítica contundente ao cenário político brasileiro de 1945, utilizando o comício de Ademar de Barros em São Paulo como base para sua análise. Ele denuncia o caráter "carnavalesco" da política brasileira, onde as campanhas eleitorais se transformam em grandes festivais de demagogia e manipulação das massas. Aplaudindo o candidato Ademar de Barros, a população, segundo Pilla, ignora o que realmente deveria ser debatido em uma eleição: os princípios e ideais necessários para a construção de um país digno e justo. Para ele, a corrupção e a falta de moralidade no sistema presidencialista são problemas profundamente enraizados, que, em vez de educar o povo, acabam deseducando e viciando-o. Critica a forma como o povo, manipulável e politicamente ignorante, se deixa levar pelas promessas vazias e pelo carisma dos candidatos, exacerbado pela ditadura de Getúlio Vargas, que contribuiu para o empobrecimento do debate político no país. Sugere que o sistema parlamentarista seria mais adequado, pois evitaria a personalização da política e a ascensão de figuras que se utilizam da demagogia para manipular os eleitores. No sistema parlamentar, as eleições seriam centradas em princípios e partidos, não em indivíduos, o que diminuiria o espaço para a corrupção e a manipulação. Por fim, Pilla critica os defensores do presidencialismo, argumentando que a verdadeira democracia só seria possível com uma reforma substancial do sistema político brasileiro.