Resumo:
Responde a uma crítica do Jornal do Brasil, que argumenta que a crise brasileira tem origem prioritariamente nas dificuldades econômicas—como produção, transportes e distribuição—e que a questão política teria um papel secundário. Rejeita essa visão, defendendo que a reforma parlamentarista não apenas pode ser tratada simultaneamente aos problemas econômicos, mas é imperiosa e urgente, pois o país sofre de um mal político agudo. Afirma que a crise não se limita ao âmbito econômico, mas também ao aspecto moral da nação. Segundo ele, a origem do problema reside no sistema presidencialista, vigente há 66 anos, que instaurou o poder pessoal e a irresponsabilidade governamental, tornando a política um instrumento de exploração do Estado, em contraste com o período do Segundo Reinado, onde tais distorções não existiam. Argumenta que a desmoralização da vida pública e o atraso na solução dos problemas econômicos derivam diretamente desse modelo político inadequado. Dessa forma, ele refuta a tese de que os desafios econômicos devam ser resolvidos antes das mudanças políticas. Para ele, o problema fundamental do Brasil é político, e todos os demais—econômicos e morais—são consequência direta do regime presidencialista.