Resumo:
Destaca a crítica de Pedro Dantas à incompetência na vida pública brasileira, que é vista como resultado de escolhas baseadas em ambições pessoais e interesses que não coincidem com os da Nação. Aponta que a falta de uma seleção natural de valores, como ocorre em democracias maduras, contribui para a perpetuação desse ciclo de incompetência. No entanto, Pilla sugere que Dantas não reconhece a causa profunda desse problema: o sistema político instaurado pela República, especialmente o presidencialismo. Cita a análise de Bagehot, um publicista britânico, que critica o sistema presidencialista, que separa o poder legislativo do executivo de forma absoluta. Segundo Bagehot, essa separação degrada a vida pública, pois impede que os membros do legislativo se envolvam diretamente nos assuntos da administração, tornando-os menos responsáveis e motivados. A consequência é uma política dominada pela mediocridade, onde os homens de Estado são de qualidade inferior e o corpo eleitoral é menos esclarecido. Pilla, então, concorda com Dantas sobre o ciclo de incompetência, mas argumenta que a causa fundamental está no próprio sistema presidencial, que impede a qualidade e a eficácia da política brasileira, resultando em um quadro de política incapaz de atender aos interesses da Nação de forma satisfatória. Sugere que o Brasil precisa repensar profundamente seu modelo político.