Resumo:
Critica a argumentação de certos setores, especialmente de jornais, que afirmam que o Brasil, devido à sua tradição presidencialista, não deve adotar o sistema parlamentar. Segundo esses críticos, o país não tem vocação para o parlamentarismo e deveria seguir com o presidencialismo, que seria a técnica mais adequada diante das crises atuais. No entanto, Pilla refuta esse argumento. Ele afirma que a verdadeira tradição do Brasil é parlamentarista, e não presidencialista, pois o sistema parlamentar foi adotado durante o Império e prevaleceu até o golpe militar de 1889, que instaurou o presidencialismo. Ele destaca que a mudança para o presidencialismo foi imposta contra a vontade popular e sem uma adaptação natural do país, resultando em uma série de crises políticas, golpes de Estado e ditaduras. Argumenta que a tradição não deve ser um fator fixo, mas sim algo que se forma naturalmente com base nas condições sociais do país. Para ele, o presidencialismo é um acidente histórico, enquanto o parlamentarismo representa a verdadeira tradição brasileira. Ao longo de sua análise, Pilla critica a falta de adaptação do sistema presidencialista às necessidades reais da nação e aponta que a crise atual é fruto de um sistema que nunca se consolidou de forma efetiva, indicando que uma mudança para o parlamentarismo seria uma solução plausível e coerente com a história política do país.