Resumo:
Critica a explicação simplista e cômoda que descreve os problemas nacionais como uma "crise de crescimento". Essa ideia foi recentemente evocada pelo embaixador Amaral Peixoto, mas Pilla considera essa explicação superficial e enganosa. Ele argumenta que a crise brasileira não pode ser atribuída a um "crescimento desordenado", pois, ao contrário, o país está enfrentando uma profunda carência e um retrocesso econômico, político e moral. Explica o conceito de "crise de crescimento" como um período temporário de instabilidade entre duas fases do desenvolvimento de um organismo, onde alguns órgãos começam a funcionar enquanto outros regridem. No entanto, ele rejeita a comparação entre o Brasil e esse tipo de crise. Para ele, o país não está crescendo desordenadamente, mas sim se deteriorando, como um organismo em estado de inanição que consome mais do que produz. Destaca que o verdadeiro problema do Brasil é a crise de governo, uma incapacidade das autoridades em lidar com as necessidades do país. Com o tempo, essa crise evoluiu para uma crise total, afetando todas as áreas da vida nacional. Conclui com um alerta: a crise não é algo passageiro ou natural, como o crescimento de um organismo, mas sim um reflexo de falhas graves no governo e na condução do país.