Resumo:
Discute a crise política e a impossibilidade de uma união nacional no Brasil, mesmo após a morte de Getúlio Vargas. O deputado Etelvino Lins, que já havia preconizado uma política de união nacional durante a sucessão presidencial, critica o fato de a ideia de união se tornar, após a eleição, uma simples adesão ao governo, sem valor real. Ele acredita que, em tempos de crise, a união deveria ter sido realizada em torno de um programa e princípios, visando apenas o futuro do Brasil, sem compromissos partidários. No entanto, a falta de resposta a essa proposta levou à divisão do país e à subversão do regime. Argumenta que, no sistema presidencialista, a união nacional proposta por Lins seria impraticável, pois o sistema impede a formação de um governo coletivo e responsável, o que, no caso do parlamentarismo, seria natural. No sistema presidencialista, a oposição, ao elaborar um programa de governo, não tem a possibilidade de executá-lo, o que torna a ação praticamente inútil. Sugere que a oposição deveria realizar uma "revolução consentida", ou seja, uma reforma que, apesar de não ser de fato uma revolução, seria uma grande mudança proposta pelos opositores, visando salvar a nação. No entanto, no atual sistema, a elaboração de um programa de governo pela oposição se torna uma tarefa quase absurda, uma vez que o governo não quer ou não pode cumprir as sugestões.