Resumo:
Faz uma crítica à discrepância entre a aparência e a realidade do sistema político brasileiro. Ele usa a metáfora dos mamíferos que se parecem com aves para ilustrar a diferença entre as características externas e internas dos regimes. Observa que, embora o sistema político brasileiro se apresente formalmente como democrático e representativo, com a Constituição estabelecendo os três poderes clássicos e um governo presidencialista, a prática é bem diferente. O presidente da República é descrito como possuidor de um poder excessivo, nomeando e demitindo ministros e outras autoridades, o que, na prática, contradiz a separação de poderes prevista pela Constituição. Além disso, Pilla destaca que o governo atual é sustentado por uma estrutura de "tripé", onde o Ministério da Guerra, o Comando da Zona Oeste e a Chefia de Polícia são os pilares do poder. A nomeação do chefe de polícia, em particular, exemplifica a inversão da hierarquia constitucional, com o presidente agora subordinado aos militares e não o contrário. Assim, o autor denuncia a distância entre a forma constitucional e a realidade política, onde a verdadeira autoridade não reside nos órgãos instituídos pela Constituição, mas sim em uma estrutura militarizada e centralizada ao redor do presidente.