Abstract:
Critica o uso de palavras “mágicas” na administração pública brasileira, como planificação e autarquia, que são frequentemente empregadas sem considerar seus reais efeitos. A planificação é vista como um método administrativo que, embora possa ampliar a visão e regularizar a ação governamental, apresenta riscos quando mal aplicada, podendo causar mais prejuízos do que benefícios. Alerta que a planificação, por si só, não garante o sucesso, sendo apenas uma técnica que depende da execução correta. Já a autarquia é abordada como uma solução ilusória para a ineficiência administrativa. Quando criada para resolver problemas de gestão, a autarquia frequentemente resulta em desordem e irresponsabilidade. Observa que, ao romper com a hierarquia de responsabilidades e dar falsa autonomia às autarquias, elas acabam se tornando instrumentos de interesses partidários e políticos, onde a nomeação de cargos é frequentemente influenciada pela política partidária e não por critérios técnicos. Argumenta que, ao expandir as autarquias para áreas que não exigem tal organização, a irresponsabilidade administrativa aumenta, aprofundando a crise política do país. Por fim, Pilla conclui que o Brasil está se afundando na irresponsabilidade, em grande parte devido ao uso indiscriminado de autarquias, que se tornam, para os governantes, uma solução mágica para todos os problemas administrativos, mas que, na prática, só agravam a situação.