Abstract:
Faz uma análise crítica dos 67 anos da República, argumentando que ela foi mal nascida, mal vivida e mal conduzida. Ele afirma que a República deveria ter surgido naturalmente com a morte de D. Pedro II, mas, em vez disso, foi imposta por uma intervenção militar extemporânea. Além disso, nasceu com uma grave deformação congênita, pois o prometido sistema democrático e parlamentarista foi substituído por um modelo de poder pessoal, semelhante ao que se atribuía ao Imperador. Ao longo do tempo, a República passou por diferentes fases, mas sempre manteve um caráter autoritário, violento e corrupto. Tentativas de reforma apenas agravaram seus defeitos, e hoje, segundo Pilla, a República se tornou uma "velha dissoluta", sem qualquer dignidade. Reforça sua crítica ao citar Ruy Barbosa, um dos fundadores do regime, que já em 1914 denunciava o governo pessoal do presidente da República, dominado por chefes políticos arbitrários e pela negação dos ideais democráticos. Ruy comparava o Império, marcado por alta moralidade e crédito nacional, à República, caracterizada pela decadência intelectual, corrupção e domínio da ignorância. Pilla conclui perguntando o que Ruy diria sobre os regimes seguintes, incluindo a República recente, cujo símbolo, ironicamente, não é um livro ou a Constituição, mas sim uma espada de ouro, representando o poder militar e a continuidade dos vícios políticos.