Abstract:
Analisa as críticas de Tancredo Neves à atual Constituição brasileira e ao sistema de governo presidencialista. Tancredo reconhece que o presidencialismo falhou, destacando a centralização excessiva do poder e a falência da federação no Brasil, onde o poder central tem se sobreposto aos Estados. Ele propõe a delegação de poderes ao presidente e a reeleição, medidas que, segundo Pilla, agravam ainda mais a concentração de poder, tornando o presidente mais arbitrário e enfraquecendo a federação. Pilla discorda da proposta de Tancredo, argumentando que a verdadeira falha não está na execução da Constituição, mas no próprio presidencialismo, que, em sua opinião, não oferece estabilidade política nem resolve eficazmente os problemas administrativos. Para ele, a continuidade administrativa não deve depender da permanência de um único governante, mas sim de um sistema que priorize a resolução de problemas através de uma administração bem estruturada. A comparação com o sistema parlamentarista é destacada, onde a continuidade administrativa é garantida pela orientação institucional, não pela permanência de um indivíduo no poder. Critica a visão de Tancredo sobre a necessidade de governos com mandatos longos e obras de grande envergadura, argumentando que a verdadeira glória do governante está em servir ao país de maneira constante e discreta, e não em realizar grandes obras para se destacar pessoalmente. Ele reforça a importância de uma administração democrática e impessoal, com ênfase na continuidade administrativa sem dependência de um governante específico.