Abstract:
Analisa as eleições em São Paulo, destacando a vitória de Ademar de Barros. Ele argumenta que os eleitores, apesar de escolherem um candidato com uma plataforma baseada em promessas vazias e um passado de corrupção, fizeram isso conscientemente. Critica a falta de valores morais e competência técnica entre os candidatos e, especialmente, entre os eleitores. A derrota de Prestes Maia, um candidato experiente e competente, é atribuída à incapacidade de comunicar-se com a massa politicamente inculta e civicamente despreparada. Vê a vitória de Ademar como uma manifestação da degradação da vida pública brasileira, onde a moralidade e a competência não são mais valorizadas. A explicação para isso, segundo Pilla, reside no sistema presidencialista, que consagra a irresponsabilidade dos governantes e fomenta a demagogia. Ele sugere que, se o Brasil adotasse o parlamentarismo, figuras como Ademar de Barros não teriam a mesma ascensão, pois o sistema parlamentar não favorece o personalismo e a demagogia. Conclui que a eleição não é apenas um episódio isolado, mas um reflexo profundo da deterioração da política no país, alertando para os perigos do sistema presidencialista e da falta de conscientização da população. A vitória de Ademar simboliza a continuidade de um ciclo de corrupção e decadência, e, embora os eleitores pareçam entender suas escolhas, o pior é que a metade do eleitorado não reconhece os danos desse processo.