Abstract:
Pilla recebeu uma carta de um remetente que se identifica como N. Prânada, pseudônimo de origem hindu. O missivista elogia a coerência e firmeza das ideias de Pilla, mas critica suas opiniões sobre a política brasileira e seus ataques aos homens públicos. Ele sugere que a filosofia defendida por Pilla, que considera os indivíduos responsáveis por suas ações, está em desacordo com as novas concepções científicas. De acordo com o remetente, a ciência contemporânea não admite o livre-arbítrio, argumentando que as ações humanas, sejam boas ou más, são determinadas por fatores fora do controle individual, como a genética e as forças naturais. Prânada propõe ainda uma visão cíclica, onde tudo se repete em grandes intervalos de tempo, o que, segundo ele, tornaria os esforços humanos inúteis, uma vez que o curso dos acontecimentos está predestinado. Pilla, por sua vez, não entra em debates filosóficos complexos, mas reafirma seu entendimento de que, apesar das críticas, a política brasileira sofre com imoralidade e irresponsabilidade. Ele critica a filosofia apresentada por Prânada, que, segundo ele, não justifica a corrupção e a má conduta política, e insiste na responsabilidade dos indivíduos. Pilla vê essa filosofia como uma ameaça ao entendimento ético e moral da política, caracterizando-a como uma justificativa para a falta de ética no cenário político brasileiro.