Resumo:
Critica a ideia de "pacificação" no contexto político brasileiro, argumentando que, para haver pacificação, deve haver uma guerra ou iminência de guerra, o que não é o caso. No Brasil, a luta política é uma prática normal e essencial em uma democracia, representada pela disputa entre a maioria que governa e a minoria que fiscaliza. A verdadeira questão é que, ao falar em pacificação, o que se busca, na realidade, é acomodação. O governo, no sistema presidencialista, age conforme sua vontade, mas a oposição impede que o faça livremente, criando obstáculos. A oposição, por sua vez, busca se beneficiar de uma certa tolerância do governo. Destaca que, embora não haja uma guerra, a luta cívica por poder às vezes se torna difícil e incômoda, e, por isso, a acomodação é buscada. Contudo, nem todos os grupos têm interesse na partilha do poder ou no processo de acomodação, especialmente aqueles com objetivos diferentes. Conclui que falar em pacificação é falso, pois o que está em jogo é a acomodação, um processo complexo que interessa ao presidente da República, mas não pode ser facilmente implementado. Ele sugere que, em vez de pacificação, é necessário um amplo entendimento e uma reforma profunda nas instituições e nos costumes do país, buscando a salvação nacional, não apenas uma solução temporária.