Resumo:
Critica a visão do editorial de 28 de maio, que considera o número limitado de partidos e a consciência partidária como condições essenciais para o funcionamento do sistema parlamentarista. Contesta essa perspectiva, argumentando que a consciência partidária não é uma condição exclusiva do parlamentarismo, sendo igualmente importante para o funcionamento do sistema presidencialista. Ele destaca que, embora o editorial defenda que partidos sem uma verdadeira consciência cívica prejudicam o sistema, a falha nos partidos não pode ser usada como justificativa para rejeitar o parlamentarismo, pois o problema também afeta o presidencialismo. Explica que, enquanto no sistema presidencial os partidos tendem a ser apenas máquinas eleitorais, no parlamentarismo eles desempenham um papel mais representativo, incorporando ideologias e princípios, o que favorece a prática democrática. Reforça que, no presidencialismo, a falta de partidos sólidos não impede o funcionamento do regime, mas no parlamentarismo, a falta de partidos ideológicos enfraquece o sistema. Pilla conclui que, dado que o Brasil carece de uma verdadeira consciência partidária, a adoção do parlamentarismo seria uma solução eficaz para promover partidos mais estruturados, ideologicamente consistentes e capazes de desempenhar um papel ativo na formação das políticas públicas, ao contrário do presidencialismo, que perpetua a existência de partidos fracos e desprovidos de consistência ideológica.