Abstract:
Analisa a situação política do Brasil, destacando a fragilidade da democracia no país. O autor observa que, apesar de a maioria das forças políticas professarem fé na democracia, o regime democrático enfrenta grandes dificuldades. A autocracia, ao contrário, é mais simples de implementar, já que depende de poucas pessoas, enquanto a democracia exige o esforço diário de todos para funcionar adequadamente. Para Pilla, a prática satisfatória da democracia exige a presença do espírito público, que é a subordinação dos interesses particulares aos interesses gerais da coletividade. No Brasil, entretanto, esse espírito público desapareceu, e as pessoas só pensam nos seus próprios interesses, o que enfraquece a democracia. Aponta que a causa dessa situação é a "deseducação política", onde o povo não é incentivado a participar ativamente da política e a se preocupar com o bem coletivo. Ele critica o presidencialismo, que, segundo ele, separa o povo do governo, criando um ambiente de irresponsabilidade política. No presidencialismo, os eleitores votam por interesses pessoais, o que gera um governo irresponsável, repleto de abusos e desconfiança. Para Pilla, o Brasil vive uma democracia formal, mas não real, e isso compromete o funcionamento adequado da sociedade e do governo. Apesar de a democracia parecer consolidada, ela está longe de ser verdadeira, devido à falha do sistema político adotado.