Abstract:
Aborda a relação entre as formas de governo e a estrutura do Estado, desafiando a ideia de que o sistema parlamentarista seria incompatível com o sistema federativo. Ele usa a analogia de pares de conceitos como "branco e preto" ou "redondo e quadrado", afirmando que, embora esses conceitos se completem ou se contradigam, não há implicação entre eles. Pilla argumenta que as formas de governo (presidencialismo e parlamentarismo) e as estruturas de Estado (unitário e federal) são pares autônomos, ou seja, não estão diretamente relacionadas e podem coexistir de maneira independente. O autor refuta a objeção comum que associa o federalismo apenas ao presidencialismo, demonstrando, com exemplos de países federativos, que é perfeitamente possível ter um governo parlamentarista em um Estado federal. Ele também menciona a figura de Ruy Barbosa, que, embora tenha defendido o presidencialismo em sua época, reconheceu a necessidade de uma reforma parlamentarista, embora com cautela devido ao contexto político da época. Pilla critica a persistência de argumentos equivocados sobre a incompatibilidade entre federalismo e parlamentarismo e conclui que a discussão sobre a reforma parlamentarista deve ser encarada sem os preconceitos do passado, pois, no fundo, as duas questões são independentes.