Resumo:
Critica um projeto de reforma eleitoral que visa permitir o alistamento de analfabetos, permitindo-lhes votar. O autor faz uma distinção entre dois projetos: o primeiro, que não traz grandes mudanças, apenas consolidaria as bases eleitorais dos partidos majoritários, mantendo ou permitindo o alistamento de analfabetos com pouca educação. Esse projeto, segundo Pilla, apenas perpetuaria a fraude eleitoral. O segundo projeto, mais grave, busca alterar a Constituição, permitindo que analfabetos, independentemente de seu grau de ignorância, possam votar, o que o autor vê como um risco à democracia. Argumenta que o exercício do voto exige um mínimo de capacidade mental, já que o eleitor precisa fazer escolhas complexas entre ideias, soluções e princípios para eleger candidatos competentes. Ele destaca que os analfabetos, privados da formação necessária para entender o processo político, não podem realizar esse julgamento adequadamente. Para Pilla, eles são vulneráveis à manipulação e à propaganda, sendo facilmente arrastados a votar sem a capacidade de discernir entre candidatos e ideias. O autor vê essa situação como benéfica para demagogos e cesaristas, que poderiam usar o voto dos analfabetos para legitimar um regime autoritário. Ele conclui que a reforma proposta não apenas perverteria o regime democrático, mas também colocaria em risco seus fundamentos.