Abstract:
O golpe de Estado de 11 de novembro de 1955, segundo Raul Pilla, não deveria ser comemorado, já que seu objetivo era, supostamente, preservar um regime que, na prática, estava longe de ser ameaçado. O golpe foi, na visão de Pilla, um ato anômalo e violento que, ao invés de salvar a democracia, acabou por aprofundar suas falhas. Ao destituir dois presidentes legalmente eleitos, o golpe causou um enfraquecimento significativo da ordem constitucional, substituindo o regime democrático por um governo de fato, mal definido e instalado no Palácio da Guerra, sem um fim claro ou definido. Pilla critica o fato de que, apesar do golpe ter sido apresentado como uma ação para salvar a democracia, ele na verdade inaugurou um processo regressivo, colocando em risco as bases do regime. Esse processo, que ele chama de "revolução às avessas", tem como alvo uma possível regressão para o estado de 1937, período que remete ao autoritarismo e à centralização do poder. A comemoração do golpe de 1955, para o autor, é indicativa de que o processo ainda não terminou, e que o país continua preso a um ciclo político incompleto e indefinido. Assim, sugere que o golpe deveria ser esquecido, caso contrário, seria um sinal de que o processo de mudança ainda está em andamento e a democracia ainda não foi consolidada.