Resumen:
Aborda a crítica ao regime militar que se estabeleceu no Brasil durante a presidência de Juscelino Kubitschek. O autor observa que, apesar da aparência de um governo civil, o poder real está nas mãos de um pequeno grupo de militares, que manipulam o sistema em benefício próprio. A primeira instituição a sofrer as consequências desse regime é justamente a própria classe militar, que, em vez de exercer a autoridade, acaba sendo subjugada pelos interesses políticos e pessoais de um grupo restrito. Um exemplo citado é o "caso Denis", no qual, para atender aos interesses do Ministro da Guerra, foi criada uma lei de exceção para permitir a permanência do general Denis no serviço ativo, ultrapassando os limites legais. Pilla destaca que, em regimes militares, a hierarquia, a disciplina e a lei são frequentemente alteradas conforme os interesses daqueles no poder, o que gera uma situação de ineficiência e crise dentro das forças armadas. Ele critica a situação de submissão da classe militar a esses interesses, e aponta para a necessidade de um governo civil para proteger os direitos dos militares e garantir o respeito à sua classe. O autor também alerta para o risco de uma maior centralização do poder nas mãos dos militares, com o Ministro da Guerra possivelmente ascendendo à presidência, o que só reforçaria a situação de despotismo. Por fim, sugere que as próprias Forças Armadas devem iniciar uma reforma profunda para salvar o país da anarquia e do autoritarismo.