Resumen:
Aborda as causas e os efeitos das ditaduras que têm prevalecido na América Latina, refletindo sobre o sistema presidencial adotado pelas nações do continente. Argumenta que, apesar das constantes quedas de ditaduras, o fenômeno das ditaduras sucessivas permanece, com a substituição de uma por outra, mantendo o ciclo de instabilidade política. Pilla rejeita explicações simplistas sobre as causas étnicas, históricas ou geográficas, sugerindo que a verdadeira causa das ditaduras é o sistema presidencial, um modelo político inadequado para a realidade latino-americana. Esse sistema, embora inicialmente bem-sucedido nos Estados Unidos, revelou-se impróprio para a América Latina, onde falta o conjunto de fatores que permitiram que a democracia se mantivesse estável no país norte-americano. O autor critica a imitação do presidencialismo sem considerar as especificidades de cada nação. Segundo ele, o presidencialismo cria uma estrutura de governo irresponsável, caracterizando-se como uma forma de ditadura disfarçada, com um poder centralizado e sem controles efetivos. Essa prática não permite o aprendizado da verdadeira democracia, levando a um ciclo de caudilhismo, especialmente militar, e perpetuando a instabilidade. Pilla observa que, embora haja revoluções e golpes de Estado, o sistema presidencial permanece intacto, sugerindo que a persistência desse modelo é um erro coletivo, e que a busca pelo poder, mais do que uma reforma política, é a verdadeira motivação por trás dessa continuidade.