Abstract:
Raul Pilla parte de uma crítica feita pela jornalista norte-americana Dorothy Thompson à política dos Estados Unidos para desenvolver sua própria análise sobre as falhas do sistema presidencialista, tanto naquele país quanto na América Latina. Thompson aponta que, diante de crises internas e externas, o governo dos EUA age com uma “mentalidade infantil” e frequentemente sem transparência, levantando questões fundamentais como: "Quem decide, o que decide e por que decide?". Apesar de ser liderado por uma figura respeitável como Eisenhower, o governo americano carece de clareza e justificativas em suas decisões. Pilla reforça esse diagnóstico ao destacar a mediocridade da maioria dos líderes políticos dos EUA, com poucas exceções históricas como Wilson e os Roosevelts. Um exemplo citado é o confisco dos fundos egípcios, relacionado à crise do Canal de Suez, que Dorothy Thompson considera um ato sem justificativa pública. Para ela, o poder nos Estados Unidos deixou de se sentir obrigado a explicar seus atos à população. A partir disso, Pilla questiona se seria surpreendente o surgimento de ditaduras na América Latina, já que o próprio modelo de presidencialismo norte-americano favorece a centralização de poder. Ele conclui que é preciso desfazer a "ilusão americana", ou seja, a ideia de que a política dos Estados Unidos é um exemplo a ser seguido. Segundo Pilla, essa política é marcada não por virtudes cívicas, mas por mediocridade e corrupção constantes.