Resumo:
Aborda a corrupção que surgiu em torno do voto formalizado e sigiloso, que deveria ser uma prática de livre escolha. A principal crítica é que, embora o sigilo do voto tenha sido uma conquista, ele paradoxalmente facilitou a corrupção eleitoral. Antigamente, o voto não tinha valor comercial, mas com a formalização, ele passou a ser negociado como mercadoria. A transação ocorre principalmente por meio de cabos eleitorais, que fazem a mediação entre candidatos e eleitores, e em troca de votos, recebem dinheiro ou benefícios para grupos como clubes esportivos, sindicatos, escolas ou hospitais. Em casos de maior porte, as negociações envolvem a compra de partidos inteiros ou de seções deles, com o valor da transação podendo atingir milhões. A prática de "comprar" votos é amplamente disseminada e amplificada em eleições para cargos executivos, como prefeitos, governadores e presidentes. Pilla observa que tais transações ocorrem em partidos que se dizem democráticos, o que compromete a integridade do sistema político. Ele também critica a atuação de partidos que, ao se envolverem em tais práticas, desmoralizam as instituições democráticas. Sugere que a corrupção do voto, gerada pela formalização do processo eleitoral, é um fenômeno que deveria ser analisado mais profundamente, uma vez que reflete uma séria degradação das práticas políticas e da confiança nas instituições.