Abstract:
Analisa o processo de reforma política na França e as dificuldades enfrentadas pelos franceses para adotar um sistema parlamentar puro. Historicamente, a França sempre teve receio do poder pessoal do presidente da República, o que a impediu de adotar um verdadeiro sistema parlamentarista, como o praticado em países como a Inglaterra. Ao longo de sua história, a França experimentou governos instáveis, como na Terceira e Quarta Repúblicas, que sofreram com a instabilidade ministerial e a falta de equilíbrio entre o poder executivo e legislativo. Com a pressão do levante militar na Argélia, a França se viu forçada a fazer uma reforma constitucional. A solução natural parecia ser a adoção do sistema parlamentarista clássico, mas, devido às condições anormais em que essa reforma seria feita, surgiram muitas dificuldades. O general De Gaulle, que inicialmente parecia compreender a natureza do problema, propôs uma solução que, na visão de Pilla, representaria uma distorção do parlamentarismo em um modelo presidencialista deturpado. Esse novo projeto, ao invés de resolver os problemas, traria mais instabilidade política. Pilla lamenta que a França tenha tomado esse caminho, pois acredita que isso levará a novos distúrbios revolucionários. Além disso, ele vê essa situação com preocupação, pois outros países, como o Brasil, que necessitam de reformas políticas, poderiam ser influenciados por esses "descaminhos" franceses.