Resumen:
Analisa o regime imposto por Charles de Gaulle à França, que, apesar de inicialmente ser visto como uma salvação para a democracia, revela-se uma ditadura disfarçada. Pilla argumenta que, sob a aparência de um governo constitucional, a França vive, na realidade, sob um poder autoritário. Um dos exemplos citados é a cassação da carteira de um jornalista que criticou o governo, o que demonstra a supressão da liberdade de imprensa. Pilla critica o plebiscito convocado por de Gaulle para legitimar a nova constituição, que, segundo o autor, é apenas uma tentativa de consolidar o poder do general. O plebiscito, embora ofereça uma opção de voto, não permite uma deliberação democrática genuína, pois a pergunta colocada à população é uma escolha entre dois males: aceitar a constituição imposta ou submeter-se a um regime militar autoritário. A principal crítica do autor é que a constituição não reflete a vontade do povo, mas sim a visão pessoal de de Gaulle. Mesmo que o povo francês possa dizer "não", isso não significaria uma escolha verdadeira, mas a simples substituição de uma ditadura por outra. Pilla sugere que, embora a revolução poderia ser uma forma de contestar esse dilema, ela seria improvável devido à ocupação militar e ao poder militar francês. O plebiscito, portanto, serve para consolidar o poder autoritário, não para promover uma verdadeira democracia.