Resumen:
Faz uma crítica contundente ao sistema político brasileiro, centrando-se no presidencialismo e na antecipação das disputas sucessórias. Embora ainda restem dois anos para o fim do mandato de Juscelino Kubitschek, Pilla observa que o país já está mergulhado na campanha presidencial, que de fato teria começado com a própria posse do atual presidente. Para ele, a política no Brasil não se dedica à arte de governar, mas à conquista contínua e desgastante do poder. Segundo o autor, os políticos ignoram os grandes problemas nacionais para se concentrar exclusivamente em alianças, recompensas e na preparação do próximo sucessor. Pilla aponta que ideias e princípios são usados apenas como ferramentas eleitorais, esvaziando o conteúdo da política e degradando a administração pública. O sistema, afirma ele, reduz a vida política a uma competição desprovida de responsabilidade real com o país. Contrastando com o parlamentarismo, Pilla enaltece esse modelo como mais funcional e verdadeiramente democrático. Nesse sistema, o governo é coletivo, voltado para resolver os problemas imediatos e com duração limitada, sendo substituído se não cumprir sua função. A disputa pelo poder, embora exista, não paralisa o governo, mas o impulsiona.