Resumo:
Discute a proposta de adotar o voto de legenda nas eleições, onde o eleitor votaria apenas na legenda do partido ou na sub-legenda, em vez de votar diretamente em candidatos individuais. A proposta visa simplificar o processo eleitoral, com a apuração se limitando à contagem das legendas e sub-legendas, o que permitiria uma contagem rápida e objetiva. Além disso, a ordem dos candidatos seria definida previamente pelo partido, com base em sua preferência interna. Pilla reconhece as dificuldades dessa proposta no contexto da política brasileira, onde a eleição pessoal é predominante, e o voto está frequentemente vinculado a amizades, interesses e influências externas. No entanto, ele destaca as vantagens do sistema, como a redução de disputas internas entre candidatos do mesmo partido e a eliminação de trocas de votos entre partidos. O voto de legenda também obrigaria os cidadãos a votar de acordo com princípios partidários, em vez de ceder a pressões pessoais. Uma outra vantagem seria a qualidade na escolha dos candidatos pelos partidos, já que a nomeação dos candidatos seria feita com mais cuidado, evitando o uso de listas longas e desqualificadas, comuns no sistema de voto pessoal. Apesar de suas vantagens, Pilla observa que a adoção do voto de legenda no Brasil provavelmente enfrentaria grande resistência, dada a predominância do voto individualista e a possível centralização de poder nas mãos dos partidos.