Resumo:
Critica duramente os primeiros atos do governo eleito no Rio Grande do Sul, liderado por Leonel Brizola, que, antes mesmo de tomar posse oficialmente, já promovia violações constitucionais. O autor destaca como a criação desproporcional de novas secretarias de Estado, acima do solicitado pelo próprio Executivo, revela não apenas um erro administrativo, mas uma clara inconstitucionalidade, evidenciando a pressa e o arbítrio do futuro governador. Pilla denuncia também a aprovação de autorizações legislativas que permitem ao novo governo manejar vultosos recursos públicos sem discriminação específica, o que, segundo ele, configura uma ditadura financeira, semelhante ao absolutismo monárquico. Essa prática, respaldada por uma maioria legislativa passiva, representa, segundo o autor, uma regressão grave ao sistema democrático representativo, que historicamente evoluiu por meio da luta pelo controle e fiscalização dos orçamentos públicos. Para Pilla, o novo governo subverte os princípios fundamentais do regime democrático, usando o apoio da maioria parlamentar como fachada para legitimar práticas autoritárias. Ele relembra que, mesmo na monarquia, havia resistência e debate sobre a aplicação dos tributos, algo que estaria ausente na realidade gaúcha. Por fim, Pilla alerta que a delegação de poderes por parte da Assembleia Legislativa ao Executivo compromete a independência e o equilíbrio entre os poderes, pondo em risco as bases do regime democrático representativo.