Resumo:
Traça um paralelo crítico entre o regime monárquico do Império brasileiro e o sistema republicano vigente no Brasil de sua época, destacando uma profunda regressão dos ideais democráticos. O autor começa recordando o antigo artigo 99 da Carta Imperial, que atribuía caráter inviolável e sagrado à figura do Imperador, bem como o artigo 98, que conferia a ele o Poder Moderador – um mecanismo concebido para garantir o equilíbrio entre os demais poderes. Pilla ressalta que, embora esse poder tenha sido amplamente exercido por Dom Pedro I, foi gradualmente abandonado por Dom Pedro II com a consolidação do sistema parlamentar. Contrasta esse modelo com a realidade republicana pós-1955, marcada, segundo o autor, pelo deslocamento do centro de poder para figuras como o Ministro da Guerra, transformado em peça-chave da organização política, exercendo influência que, no passado, caberia apenas ao chefe de Estado. Para Pilla, isso evidencia não uma evolução, mas uma regressão: o poder pessoal, outrora criticado na figura do Imperador, reaparece em novos atores, desprovidos da legitimidade monárquica e muitas vezes protegidos por uma espécie de sacralidade política injustificada. Encerra lamentando o destino do regime democrático-representativo, mergulhado numa “apagada e vil tristeza”, expressão emprestada de Camões, para traduzir o desalento e a desilusão com o rumo institucional do país.