Resumen:
Raul Pilla critica severamente a concepção política de Leonel Brizola e os argumentos usados por seus partidários na campanha eleitoral. A principal acusação recai sobre a estratégia de amedrontar o eleitorado, alegando que, caso o candidato Peracchi Barcelos fosse eleito, o Rio Grande do Sul sofreria represálias do Governo Federal, por não ter apoiado Juscelino Kubitschek. Segundo Pilla, essa visão revela uma mentalidade caudilhesca, que privilegia aliados e pune adversários, distorcendo os princípios do regime federativo e da democracia. O autor argumenta que a ameaça de retaliação, além de infundada, é um recurso imoral, pois subordina a livre escolha dos eleitores aos interesses de um grupo político. Ele responsabiliza o facciosismo trabalhista por impedir a importação de máquinas rodoviárias que beneficiariam o Estado, manipulando o Governo Federal por conveniências eleitorais. Ressalta ainda que o Presidente da República, mesmo que suscetível a pressões, não teria interesse em perseguir um governador legitimamente eleito, pois isso comprometeria a própria estabilidade de seu governo. Pilla também alerta para o risco de Brizola aplicar, caso eleito, o mesmo critério discriminatório na relação entre o Estado e os municípios, favorecendo correligionários e penalizando opositores. Conclui apelando ao “brio gaúcho”, para que o eleitor reflita sobre o retrocesso político e institucional que representaria a vitória de Brizola, associada ao retorno de práticas autoritárias já superadas.