Abstract:
Critica a morosidade e as disputas em torno da escolha do presidente no regime presidencialista brasileiro, destacando que a demora na solução da questão não deve ser vista como um problema de ambições pessoais, mas como uma consequência da própria estrutura do regime. Segundo ele, o presidente, com seu poder extraordinário, domina a política nacional de forma incontestável. O partido que o elege exerce influência significativa sobre os demais, o que gera uma disputa intensa entre facções, inclusive dentro do mesmo partido, para determinar quem assumirá o cargo presidencial. Aponta que, devido à concentração de poder na figura do presidente, as hesitações e os conflitos em torno da escolha são inevitáveis. Mesmo aqueles que clamam por uma decisão rápida e clara sobre a presidência são, na realidade, os primeiros a criticar intervenções que não atendam aos seus interesses. Para resolver essa situação, sugere uma mudança no regime político, transformando o presidente em um cargo simbólico de maior moderação e menor poder, afastando a centralização de decisões e permitindo que outras questões da vida pública possam ser debatidas com mais equilíbrio e relevância.