Abstract:
Reflete sobre a pena de morte e sua moralidade, a partir da execução iminente de um casal condenado por sequestro e assassinato de uma criança. Reconhece a gravidade do crime cometido, mas questiona se a sociedade tem o direito de retribuir o assassinato com outro assassinato. Ele argumenta que, enquanto os criminosos podem ter agido sob hesitação, medo ou desespero, a sociedade, ao executar uma pena capital, age de forma fria, lúcida e consciente, o que a torna, paradoxalmente, a maior assassina. Pilla distingue os crimes passionais ou impulsivos dos homicídios premeditados, sustentando que a execução legal se encaixa na segunda categoria. A frieza com que a sociedade organiza a morte institucionalizada torna o processo ainda mais monstruoso do que o próprio crime original. Ele descreve os preparativos minuciosos para a execução na câmara de gás e nota que, diferentemente do passado, onde execuções eram públicas e exemplares, agora são discretas e restritas, o que revela um certo reconhecimento do caráter cruel da prática. Sugere que essa mudança de postura pode ser um sinal de esperança para a abolição da pena de morte. A necessidade de esconder a execução demonstra um incômodo moral crescente, podendo levar à sua supressão no futuro.