Abstract:
Critica a defesa do governo de Getúlio Vargas por parte do Partido Trabalhista, especialmente nos comícios em apoio à sua permanência no poder. Argumenta que, embora o apoio a Vargas seja esperado devido à sua posição e ao momento político, as justificativas usadas são falaciosas. Ele refuta a ideia de que Vargas foi eleito por uma maioria absoluta do povo, esclarecendo que, apesar de ser o mais votado, ele não obteve a maioria do eleitorado, sendo sua ascensão ao poder um reflexo de falhas na Constituição Federal. Aponta que o apoio da maioria não confere direitos absolutos, e questiona a moralidade de sustentar um governo caracterizado por desmandos e escândalos. Ele ainda discute a legitimidade do uso da Constituição para justificar a permanência de Vargas, enfatizando que o próprio texto constitucional permite a renúncia ou afastamento do presidente. Pilla defende que a moralidade, que se sobrepõe à Constituição e à democracia, exige que Vargas entregue o governo ao seu substituto legal, como forma de preservar a ordem e a justiça. A invocação de argumentos de democracia e constituição pelos trabalhistas, segundo Pilla, é inadequada e desonesta. Ele conclui com a esperança de que Getúlio Vargas compreenda a necessidade de renunciar e permitir a transição do poder.