Abstract:
Analisa a prática dos despachos coletivos que o presidente Café Filho pretende restabelecer, algo negligenciado por Getúlio Vargas e Eurico Gaspar Dutra. Para Pilla, essa prática, caracterizada por reuniões frequentes com ministros, é salutar para um governo eficiente, pois promove a unidade e a coordenação. Ele observa que, quando o governo é excessivamente pessoal, como nos casos dos dois presidentes anteriores, o poder acaba sendo concentrado nas mãos de uma só pessoa, reduzindo os ministros a meros assistentes. Enfatiza que, em um regime presidencialista, mesmo com a grande capacidade de um presidente, a complexidade dos problemas nacionais exige uma ação coletiva para assegurar que as decisões sejam bem coordenadas. A ausência dessa coordenação, observada nos governos de Vargas e Dutra, resulta em um governo que carece de um ponto de vista mais amplo e seguro. Apesar de criticar o presidencialismo, Pilla reconhece que, até que uma reforma seja implementada, o restabelecimento dos despachos coletivos será um paliativo para minimizar os danos causados pela personalização do regime. Ele vê essa mudança como um passo para suavizar os efeitos do presidencialismo e preparar o país para uma futura transição mais eficiente e equilibrada.