Abstract:
Critica a entrevista radiofônica do coronel Alberto Bittencourt, apontando incoerências e uma aparente insinceridade na forma como o militar analisa a situação política do país. Esclarece que sua crítica não visa desmerecer o patriotismo de Bittencourt, mas sim destacar as contradições de alguém que, sendo parte do governo, tenta isentar-se de culpa ao atribuir a responsabilidade da crise aos partidos políticos. O autor reconhece a possibilidade de uma nova ruptura institucional, a chamada "terceira data", e admite que, diante da degradação da vida pública e da ineficácia das instituições democráticas, uma intervenção pode parecer inevitável — como uma “operação cirúrgica” em um organismo doente. No entanto, adverte que tais intervenções, quando mal conduzidas, não regeneram o sistema, mas o agravam. Segundo ele, o Brasil tem sido palco apenas de "golpes", como os de 1945, 1954 e 1955, que não produziram mudanças estruturais, apenas trocas de poder. Ele questiona se a proposta implícita do militar seria mais uma substituição de líderes ou até o reforço do regime vigente por meio da dissolução do Congresso e dos partidos. Conclui que, mais do que novas rupturas, o país precisa de clareza, verdade e reformas profundas — uma verdadeira revolução e não mais golpes disfarçados de legalidade ou patriotismo.